Reflexão: Orlandinho administrou a riqueza enquanto Heleno a crise e os problemas sociais

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Em 2017 completaremos trinta anos de Nova Canindé. Subiu a serra pobre, ficou rica e voltou a ser pobre: o que temos para comemorar, se a riqueza nunca foi para o povo?

Quem vê as propagandas nas tvs e agências de publicidades espalhadas pelo País, vendendo pacotes de turismo, propagando sobre as belezas naturais do Cânion de Xingó, o quinto navegável no mundo, não sabe que por trás dessa beleza exuberante existe uma região que atrasada, de um povo sofrido e pobre cuja a riqueza não lhe pertence. Depois de constatar o monte em bilhões que por Canindé passou iremos constatar que houve lapidação do que é público e por isso “não será feliz”.

A História é a ciência que relata sobre todas as demais ciências. É com base nela que olhamos para o passado objetivando não cometer erros no futuro. A crise em Canindé de São Francisco é uma sucessão de erros de gestões que já passaram. Embora todas tenham deixado sua contribuição de alguma forma, é preciso dizer também que houve falta de planejamento para preparar o Município ao futuro. Pois bem, diz-se que, somos ricos e ao mesmo tempo pobres e essa pobreza é oriunda da própria riqueza porque, em detrimento da sua abundância em milhões, criou-se uma mega estrutura que demanda milhões para ser mantida.

Canindé de São Francisco tem população crescente, criou-se uma grande estrutura para ser mantida pela máquina pública sem se atentar ao fato de que a receita poderia cair algum dia. Esse tempo chegou e foi alertado. O próprio Kaká Andrade, quando era então Secretário Geral do Município, na gestão do Prefeito Orlando Porto de Andrade, foi o autor do alerta afirmando que: “Se Canindé for “na rota em que vai”, será inadministrável […].”. Competente e muito centrado, Kaká tinha em suas mãos todo o desenho da situação e já pensava sobre a redução da receita “se um dia ela caísse”. Caiu de R$ 12 milhões, eu sua época, para a metade com Heleno Silva. Canindé é inadministrável? Como o próximo gestor fará gestão pública com os recursos minimizados? Cortará direitos? Reduzirá salário? Enxugará a máquina pública? Fará captação de recursos através do Governo Federal? Em voltando o recurso e com base na crise, fará uma reestruturação?

Tais situações são indicativos de que o Município precisa se readequar, enxugar a máquina pública, fazer gestão pública de excelência, reciclagem de profissionais e acima de tudo “começar a fazer o Canindé de amanhã”, ou seja, promover o começo do desenvolvimento para o futuro. As gestões que passaram não tiveram pensamento e nem planejamento para preparar o Município. O tempo chegou constatando o quanto fomos irresponsáveis com o dinheiro público. Canindé subiu a serra, ou seja, foi transferida da beira do São Francisco, o Opará dos Tupinambás, como uma pobre cidade. Ao chegar no novo local ficou riquíssima, gastou tudo, lapidada de várias formas e voltou a ser “pobre”, entretanto rica se não fosse a mega estrutura criada cuja a demanda para mantê-la é de alguns milhões. Só o débito deixado pela gestão anterior foi de mais de R$ 3 milhões que, após serem parcelados, deixo de pagar e hoje esse valor é exorbitante. Como Canindé irá reverter esse quadro? Só na mãos de dez professores o valor do salário passa das casa dos cem mil reais. Como fazer as reformas? Por onde começaremos?

 Há um histórico que deve ser incutido na sociedade, é o de que, em 29 anos de “Nova Canindé” passou pelas gestões alguns bilhões. Estamos na sexta gestão, que é a gestão das crises. Nessa afirmação veremos que a gestão do então Prefeito Orlandinho, que foi de oito anos (Primeira gestão de 2005 a 2008 e a segunda de 2009 a 2012), administrou a riqueza. Só nela o volume passou de um bilhão. Foi um período de receita gorda. Ao invés de se investir no desenvolvimento do Município o que se houve foi a promoção de um “grande assistencialismo político”, ou seja, viciou o povo a pedir, aliás, é da própria cultura de Orlandinho, como pessoa, encher o bolso de dinheiro e dar ao povo. Pela gestão de Orlandinho passaram-se alguns bilhões e se pergunta o que foi deito. Orlandinho administrou a riqueza. Essa verdade deve doer porque, parte desse caos, tem contribuição da sua gestão. Já Heleno, pobre de uma comunicação eficaz, sem saber usar os meios que dispunha, amarga o título de “pior gestor de Canindé de São Francisco”. Será mesmo? Vamos olhar para o “retrovisor da História”? Temos a coragem de perguntar para foi tantos recursos de todas as administrações? Se fizermos uma análise histórica, se captarmos depoimentos, pesquisarmos, se buscarmos na “consciência” daqueles que “tiraram proveito” dos cargos que estiveram a frente, se buscarmos em alguns políticos que no poder “visaram” suas situações próprias do lado “financeiro” e “poder” seremos capazes de acharmos a resposta correta. O próprio Orlandinho foi “vitima” também.

O que se teve depois de 2012, com a chegada do Prefeito Heleno Silva em 2013, foi uma administração tumultuada desde o início porque faltou sintonia entre alguns pares; Heleno não deu ouvidos aos bem intencionados; houve exploração, tráfico de influência, muita maldade com “gente” infiltrada fazendo tráfico de informação e também não se atentaram para um planejamento administrativo. Mas, o que vem a ser uma verdade in contest é que Orlandinho administrou a riqueza enquanto Heleno a crise, pobreza e os problemas sociais que foram ajuntados com o crescimento dessa população. A população cresceu porque “Canindé de São Francisco é uma terra de esperança e solidão”, como diz a frase do livro a ser lançado. Na verdade Orlandinho foi o pai da riqueza, porque o Município vivia bem. Já Heleno administrou o caos. Não há quem vá de encontro a História, principalmente quando ela é uma verdade imutável.

A solidão por que passa Canindé tem origem, tem meio e o fim e é objeto de futuro. O que temos de concreto é um longo estado de esperança. Essa esperança que é a mola mestre do Município. Enquanto cidades mais antigas, com recursos menores vêm crescendo, Canindé vive atrasado porque, administrar com a bonança é fácil. Quem terá capacidade de administrar o Município em face da crise?

Se fomos tão ricos, porquê ainda vivemos de “esperança” e “solidão”? Eis uma perguntaque muitos têm condição de responder. Quem se aproveitou do poder para ficar rico? Quem se preocupa com Canindé?

É entre a “Esperança” e a “Solidão” que Canindé de São Francisco deve decidir como será seus próximos anos. Na História do Município Heleno Silva foi salvo porque administrou em tempos de crise. Já outros não terão a mesmo lugar é essa verdade esmagadora que deve retirar o sono de alguns. Heleno será lembrado porque, em não voltando a receita, e sem fazer as reformas necessárias “Canindé de São Francisco será inadministrável. Continuar sendo uma “Terra movida pela “Esperança” num estado de “Solidão”.

Por Adeval Marques
Graduado em História/Unit
Membro do CCP: Centro de Cultura de Propriá
Fundador e Redator dos sites Propriá News e Revista Canindé (RSNews)

Obs: O livro Canindé de São Francisco: Terra de Esperança e Solidão, uma reflexão no tempo está em fase de término. É de autoria de Adeval Marques.

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